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Fórum Permanente de Prevenção de Doenças Cardiovasculares

A Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), durante o Fórum Permanente de Prevenção, redigiu uma carta alertando para a prevenção de doenças cardiovasculares na infância e na adolescência.

Segundo a SOCESP, "o problema, que estourará daqui a 30 anos, já mostra sinais sérios, afinal o adulto, em 2040, é o jovem de hoje. A Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE indica que 34,8% das crianças com idade entre 5 e 9 anos está acima do peso e na faixa de 10 a 19 anos, 21,7% dos brasileiros apresentam excesso de peso. Na década de 70, este índice estava em 3,7%. O Brasil já vive uma epidemia de obesidade, em virtude da má alimentação e do sedentarismo. A hipertensão, por exemplo, atinge cerca de 5 milhões de crianças brasileiras, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia.".

Íntegra do documento que a SOCESP encaminhou às direções das escolas, professores e merendeiros, pais e que conta com o apoio do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP).

São Paulo, 1 de junho de 2013

A Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo - SOCESP- reunida no Primeiro Fórum de Promoção e Prevenção, durante o XXXIV Congresso Paulista de Cardiologia na cidade de São Paulo, tendo como participantes associados e representantes dos setores público e privado, e da sociedade civil, profissionais, acadêmicos e estudantes secundários, decidiu elaborar esta carta que representa o marco de referencia para as ações de promoção da saúde e prevenção das doenças cardiovasculares em crianças e adolescentes, e que resulta de trabalho participativo dos que atenderam ao Fórum. Assim, considerando que:

A Declaração Política da Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Prevenção e Controle das Doenças Não Transmissíveis (DCNT) estabeleceu a meta global de redução de 25% na mortalidade precoce por doenças não transmissíveis até 2025;

Quase 80% das principais doenças crônicas (29 milhões) em 2008 ocorreram em países de baixa e média renda;

As doenças cardiovasculares continuarão sendo a principal causa de morte no mundo, cerca de 7,3 milhões/ano, número que deverá superar 23,6 milhões até 2030, especialmente na América Latina, onde cerca de 40% das mortes ocorrem durante os anos mais produtivos de vida;

No Brasil, 300 mil morrem anualmente devido a doenças cardiovasculares, como infarto, acidente vascular encefálico, insuficiências cardíaca e renal ou morte súbita, o que significa 820 mortes por dia, 30 mortes por hora ou uma morte a cada 2 minutos;

Estima-se que a redução de 10% da taxa de mortalidade causada por doença isquêmica do coração e acidente vascular encefálico geraria uma economia estimada em US$ 25 bilhões por ano para os países de baixa e média renda como o Brasil;

É amplamente reconhecido o papel das sociedades médicas e suas associações como agentes críticos para apoiar a mudança na abordagem das doenças cardiovasculares no mundo, especialmente com respeito à promoção da saúde e prevenção dos fatores de risco;

O posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia, elaborando a Carta do Rio de Janeiro de 30 de novembro de 2012, em que faz público seu desejo de trabalhar coletivamente em defesa das metas globais para prevenção e controle de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) abrangendo o uso de medicamentos e dos principais fatores de risco (sedentarismo, hipertensão, ingestão excessiva de sódio e de gordura saturada, tabagismo, obesidade, consumo excessivo de álcool, hipercolesterolemia), para prevenir infarto agudo do miocárdio e acidentes vasculares encefálicos, aliando-se as “Metas globais para a prevenção e o controle das DCNT”;

A Promoção da Saúde é definida como a capacitação das pessoas e comunidades para modificarem os determinantes da saúde em benefício da própria qualidade de vida, segundo a Carta de Ottawa (1986), documento que se tornou referência para as Conferências Internacionais de Promoção da Saúde, subsequentemente promovidas pela OMS. A definição chama atenção para o almejado protagonismo das pessoas e a necessidade de que sejam “empoderadas”, isto é, desenvolvam a habilidade e o poder de atuar em benefício da própria qualidade de vida, enquanto sujeitos e/ou comunidades ativas;

A prevenção é uma ação antecipada que tem por finalidade a progressão do gradiente saúde-doença, ou seja, ações preventivas definem-se como intervenções orientadas a evitar o surgimento de doenças específicas, reduzindo sua incidência e prevalência nas populações. Para tanto, baseiam-se no conhecimento epidemiológico de doenças e de seus fatores de risco. Assim, a prevenção orienta-se as ações de detecção, controle e enfraquecimento dos fatores de risco;

Podemos entender como um Programa para Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos um conjunto orientado de estratégias e ações programáticas integradas que objetivam a promoção da saúde; a prevenção de riscos, agravos e enfermidades, contribuindo para a redução dos anos perdidos por incapacidade e o aumento da qualidade de vida dos indivíduos e populações.

Existem evidências científicas, associando o estado de nutrição ao nascer a um conjunto de doenças que irão se expressar ao longo da vida, em idades variáveis, como é o caso da obesidade, da hipertensão, de dislipidemias e da diabetes de tipo II. Além disso, esse estado nutricional associa-se a ocorrência de lesões vasculares muito precoces que necessitam de uma intervenção preventiva desde a vida fetal e a primeira infância.

A SOCESP SE COMPROMETE EM:

Estabelecer o FÓRUM SOCESP PERMANENTE DE PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO DOS RISCOS DAS ENFERMIDADES CARDIOVASCULARES como um espaço estratégico da SOCESP em atuar de acordo com a sua relevância social para o beneficio da sociedade paulista;

Atuar com os governos estadual e municipal para o desenvolvimento e aplicação de um programa de promoção da saúde e prevenção cardiovascular no Estado de São Paulo para as populações infantil e adolescente, por meio do apoio técnico e científico de seus associados, e de sua capacidade de mobilização da sociedade;

Estabelecer indicadores para o monitoramento e avaliação dos resultados e impactos de programas de promoção da saúde e prevenção de riscos para as populações infantil e adolescente;

Apoiar o treinamento e qualificação dos profissionais que atuam em programas de promoção e prevenção de doença cardiovascular;

Atuar junto à sociedade disseminando informação e conhecimento que possam alterar comportamentos para autocuidados com relação à promoção da saúde e prevenção das doenças cardiovasculares;

Desenvolver projetos colaborativos com outras sociedades médicas (por exemplo: Pediatria, Medicina Preventiva e Coletiva) e associações profissionais que enfatizam a promoção da saúde e estratégias de prevenção para doenças cardiovasculares;

Mobilizar os meios de comunicação para levar informações contínuas sobre a importância promoção da saúde e prevenção das doenças cardiovasculares na infância e adolescência;

Apoiar a implantação e melhoria de sistemas de informações epidemiológicas sobre as doenças cardiovasculares e seus fatores de risco, visando o desenvolvimento de estratégias que promovam o planejamento das ações de promoção e prevenção de saúde;

Apoiar campanhas de promoção da saúde e prevenção cardiovascular, e promovendo esforços consistentes para obter a meta de redução de 25% da taxa de mortalidade até 2025. As campanhas devem envolver os fatores de risco cardiovascular: tabagismo, alimentação inadequada, ingestão excessiva de sódio, inatividade física, obesidade, hipertensão arterial, hipercolesterolemia e diabetes, como especificado nas diretrizes da Organização Mundial de Saúde;

Atuar junto às indústrias e cadeias de alimentação na discussão do que pode mudar em suas práticas comerciais que contribuam para uma dieta saudável;

Atuar junto as Secretaria Estadual e Municipal de Educação para fazer com que os programas de merenda escolar sigam as diretrizes de uma alimentação adequada e saudável em seus cardápios, bem como estimulando as práticas de atividades físicas;

Atuar junto às direções das escolas, professores e merendeiros, bem como junto aos pais demonstrando a importância de sua participação em programas de promoção da saúde e prevenção dos fatores de risco cardiovasculares, para que sejam multiplicadores de informações e conhecimentos junto as suas famílias e comunidades;

Apoiar o desenvolvimento de cada criança e adolescente como potencial “agente de saúde” junto a sua família e comunidade, e especialmente junto aos seus próprios pares. Para tanto promoção da saúde e prevenção de riscos para as doenças cardiovasculares deve ser parte de uma estrutura curricular sustentada e adaptada ao ensino pré-escolar, fundamental e de segundo grau;

Atuar junto às organizações da sociedade civil, especialmente àquelas que se dedica a população infantil e adolescente, estabelecendo parcerias estratégicas para garantir em suas ações a inserção de promoção da saúde e prevenção dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares;

Usar as mídias sociais (Facebook, Instagran, Twitter, por exemplo) como instrumentos na disseminação da informação e conhecimento sobre a promoção da saúde e prevenção dos fatores de risco cardiovascular;

Atuar junto a universidades para fortalecer os centros existentes, e criar novos centros de ensino, pesquisa e prestação de serviços no atendimento na promoção da saúde e prevenção de riscos para as doenças cardiovasculares;

Apoiar os profissionais do Programa da Saúde da Família, e das Unidades Básicas de Saúde, para que incorporem em suas práticas ações de promoção da saúde e a prevenção dos riscos da doença cardiovascular especialmente em crianças e adolescentes;

Dar atenção especial às escolas médicas para que valorizem em seu currículo as ações de promoção e prevenção da saúde, e também, apoiar a incorporação desses temas nos programas de residências de especialidades como Clinica Médica, Pediatria, Cardiologia.

E, finalmente, a SOCESP estabelecerá um Grupo de Trabalho que num prazo de 60 dias a contar da data de hoje deverá apresentar um Plano Estratégico de Ação para por em prática todos os compromissos assumidos por meio desta carta.

Dr. Adib Domingos Jatene - Presidente do Fórum

Dr. Maurício Wajngarten - Coordenador do Fórum

Dr. Carlos Costa Magalhães - Presidente da SOCESP Gestão 2012 - 2013

Dra. Ieda Biscegli Jatene - Presidente do XXXIV Congresso SOCESP