Blog do Coração


Alimentação rica em gorduras e pobre em carboidratos é indicada para crianças e adolescentes com epilepsia


Após quase 20 anos esquecida, a Dieta Cetogênica (aquela que favorece o processo de cetose no organismo) reaparece como um tratamento adjuvante da epilepsia refratária.

Sabe-se que o uso de uma dieta contendo cerca de 90% de gorduras tem comprovada eficácia clínica no controle de crises epiléticas em crianças e adolescentes cujo tratamento medicamentoso isolado não é eficaz. Apesar da excelente resposta clínica, associada não somente ao controle das crises, mas também à redução do número de drogas e posologia administradas, a Dieta Cetogênica tem indicação precisa, pois, assim como os medicamentos usados na epilepsia, também causa efeitos adversos. Dislipidemias, litíase renal, acidose metabólica são algumas respostas negativas ao tratamento que devem ser rigorosamente monitoradas, visando manter a eficácia clínica da dieta, mas controlar os efeitos colaterais.

Preocupados com o equilíbrio da resposta do paciente frente à Dieta Cetogênica, pesquisadores da Universidade de São Paulo, em parceria com neuropediatras do Instituto da Criança (Dra. Letícia Sampaio), têm avaliado o risco cardiometabólico dos paciente epilépticos sobre tratamento com Dieta Cetogênica por meio do monitoramento das subfrações lipoproteicas e de parâmetros oxidativos.

Esses marcadores tendem a apresentar um perfil mais aterogênico, diretamente associado ao elevado conteúdo de lipídeos e, sobretudo, de ácidos graxos saturados. Atualmente, o grupo formado pelos pesquisadores Patrícia Azevedo, Camila Morgado, Mariana Prudencio e Giovanna Ricciarelli, liderados pela Professora Nágila Damasceno, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP, está testando a eficácia clínica e o impacto cardiometabólico de uma Dieta Cetogênica modificada, na qual houve o enriquecimento com ácidos graxos poli-insaturados e monoinsaturados. Os objetivos dos pesquisadores é obter o equilíbrio entre a eficácia clínica e saúde cardiovascular dos pacientes.

 

Patrícia Azevedo é nutricionista, doutoranda em Nutrição Humana pela USP e integra o Grupo de Estudos GENC.