Blog do Coração


O Dr. José Saraiva, que integra a diretoria da SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), está no Congresso da EASD (European Association for the Study of Diabetes), em Estocolmo, Suécia, e de lá nos informa os resultados do estudo EMPA-REG OUTCOME, divulgados na tarde de 17 de setembro.

 Trata-se do primeiro estudo a demonstrar redução da mortalidade geral e cardiovascular de um medicamento antidiabético (empagliflozina).

A empagliflozina é um inibidor do SGLT2, proteína transportadora responsável pela reabsorção da glicose filtrada pelos rins e eliminada com a urina. A empagliflozina impede essa reabsorção, permitindo que parte da glicose filtrada pelos rins seja excretada na urina.

A classe dos inibidores do SGLT2 representa a mais recente inovação no tratamento do diabetes tipo 2 de uso oral. Além de reduzir o excesso de glicose no sangue (hiperglicemia), a empagliflozina contribui para a perda de peso corporal e redução de pressão arterial em pacientes com diabetes tipo 2, que são fatores importantes para a redução de futuras complicações, como as doenças cardiovasculares.

O estudo envolveu 7020 doentes, que foram tratados em média durante três anos. No grupo que recebeu empagliflozina, observou-se redução significativa  de 38% na taxa de morte por causas cardiovasculares, 35% na taxa de hospitalização por insuficiência cardíaca e redução de 32 %  de morte por qualquer causa.

Entre os pacientes que receberam empagliflozina, houve um aumento da taxa de infecção genital, como anteriormente em outros estudos de desenvolvimento do medicamento. Entretanto, não se observou outros eventos adversos significativos.

O presente estudo representa um marco no tratamento do diabetes, pois, pela primeira vez, demonstrou-se que um tratamento com uma nova medicação reduziu a mortalidade em pacientes recebendo tratamento padrão para o controle do diabetes e suas complicações.