Blog do Coração


Apesar do declínio, nas últimas três décadas, no Japão, América do Norte e Europa Ocidental, as mortes por Acidente Vascular Cerebral (AVC) no mundo devem aumentar nos próximos anos. A elevação fica por conta do aumento da expectativa de vida e do crescimento populacional entre idosos em nações subdesenvolvidas e em desenvolvimento. O número total de óbitos por AVC na América Latina deve triplicar nas próximas décadas. No Brasil, já é a principal causa de mortes entre doenças cardiovasculares.

Mais de cem mil brasileiros morrem todos os anos por AVC. Em 2011, foram 50.877 homens e 49.863 mulheres que perderam suas vidas para a doença. "Mais de 90% das mortes ocorrem depois dos 50 anos de idade e a doença é negligenciada", explica o diretor de Pesquisa da SOCESP, Ricardo Pavanello, que coordenou debate o assunto no XXXV Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

Pavanello ressalta a importância do assunto lembrando que a doença cerebrovascular atinge 16 milhões de pessoas no mundo a cada ano, 85% dos quais ocorrem em países não desenvolvidos e 1/3 atinge pessoas economicamente ativas. “Os que sobrevivem acabam convivendo com sequelas que limitam o dia a dia". Os pacientes que sobrevivem à fase aguda apresentam déficit neurológico e necessitam de reabilitação. "70% não retomam o trabalho e 30% necessitam de auxílio para caminhar", explica.

No Brasil, as projeções não são otimistas. O número de mortes por AVC deve aumentar para 6,5 milhões em 2015 e para 7,8 milhões em 2030. "É preciso investir em prevenção e o brasileiro precisa controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol. Evitar a obesidade, a vida sedentária, o tabagismo e a ingestão de álcool". Estudo realizado em quatro cidades brasileiras com 814 pessoas verificou 29 nomes diferentes para AVC e somente 35% reconheciam o 192 como número nacional de emergência médica. 22% não reconheciam nenhum sinal de alerta para a doença.

"A prevenção primária para os pacientes de risco e a prevenção secundária da doença aterosclerótica podem reduzir em até 4% a mortalidade média anual em pessoas entre 60 e 69 anos e em até 3% a mortalidade anual em pessoas entre 70 e 79 anos", alerta Ricardo Pavanello. "Se investíssemos amplamente em prevenção certamente reduziríamos drasticamente o número de mortes e sequelados pelo AVC”.