Blog do Coração


O tratamento de uma pessoa com sobrepeso, ou obesidade deve passar por dois estágios: avaliação e atuação. A avaliação inclui a determinação do grau de obesidade e estado geral de saúde e a atuação envolve a perda de peso, manutenção do peso corporal, e medidas para controlar outros fatores de risco.

A obesidade é uma doença crônica, o paciente e o profissional de saúde devem entender que o sucesso do tratamento exige um esforço de toda a vida. Este esforço promete ter sucesso quando envolve o paciente, sua família, seu ambiente social e, invariavelmente, uma equipe multidisciplinar que, ao longo do tempo, atua junto ao paciente no auxílio à manutenção do peso ideal.

A decisão de tentar um tratamento para perda de peso também deve considerar a disponibilidade da paciente para fazer as mudanças de estilo de vida necessárias avaliando: razões e motivação para perda de peso; tentativas anteriores de perda de peso; apoio esperado da família e dos amigos; compreensão dos riscos e benefícios; atitudes em relação à atividade física; disponibilidade de tempo e possíveis barreiras, incluindo limitações financeiras.

A avaliação de um paciente deve incluir o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) e circunferência abdominal. Há evidências para apoiar o uso do IMC na avaliação de risco, uma vez que fornece uma medida mais precisa da gordura corporal total em comparação com a avaliação do peso corporal por si só. Nem a bioimpedância proporciona uma vantagem sobre o IMC no manejo clínico dos pacientes adultos, independentemente de gênero. Porém, um julgamento clínico deve ser empregado quando se avalia pacientes com massa muscular importante porque o IMC pode superestimar o grau de adiposidade.

As classificações para IMC, adotadas e aprovadas pelas principais organizações de saúde profissionais, são:
Baixo Peso: <18.5 kg/m2
Peso normal: 18.5 – 24.9 kg/m2
Sobrepeso: 25 – 29.9 kg/m2
Obesidade Classe 1: 30 – 34.9 kg/m2
Obesidade Classe 2: 35 – 39.9 kg/m2
Obesidade Mórbida Classe 3: =40 kg/m2

O excesso de gordura abdominal é um importante fator de risco independente para a doença. A avaliação da circunferência abdominal para avaliar os riscos associados com a obesidade, ou excesso de peso, é suportada pelas evidências científicas. Diferente do que já se preconizou a medida da relação cintura-quadril não configura nenhuma vantagem sobre a circunferência abdominal sozinha. A medição da circunferência abdominal é particularmente útil em pacientes que são classificados como normais, ou acima do peso. Não é necessário medir a circunferência abdominal em indivíduos com IMC = 35 kg/m2 uma vez que pouco acrescenta ao poder da classificação do IMC.

Homens com cintura maior do que 102 cm e as mulheres com cintura maior do que 88 cm estão em maior risco de diabetes, dislipidemia, hipertensão e doenças cardiovasculares devido ao excesso de gordura abdominal. Indivíduos com cintura superior a estes valores devem ser considerados de risco acima do definido por seu IMC.

Indivíduos com menor risco devem ser orientados sobre as mudanças de estilo de vida eficazes para evitar qualquer ganho de peso. Os objetivos da terapia incluem a redução do peso corporal e a manutenção de um peso corporal menor em longo prazo. A prevenção de maior ganho de peso é o objetivo mínimo.

A taxa de perda de peso deve ser de 1 a 2 quilos por semana. Maiores taxas de perda de peso não garantem melhores resultados no longo prazo. Após os primeiros 6 meses de tratamento de perda de peso, a prioridade deve ser a manutenção do peso alcançado através de mudanças combinadas na dieta, atividade física e comportamento. Além disso, uma nova perda de peso pode ser considerada, após um período de manutenção de peso.

Prevenir ganho de peso pode ser uma meta apropriada para as pessoas com um IMC de 25 a 29,9, que não estão de outra maneira em alto risco. Em geral, as dietas contendo 1.000 a 1.200 calorias por dia devem ser selecionadas para a maioria das mulheres, uma dieta entre 1.200 e 1600 calorias por dias devem ser preferidas para homens e pode ser adequada para mulheres que pesam 75 quilos ou mais, ou que praticam exercício.

Mudanças de longo prazo nas escolhas de alimentos têm maior probabilidade de serem bem sucedidas quando as preferências do paciente são levadas em conta e quando o paciente é instruído sobre a composição dos alimentos, etiquetagem, preparação e tamanho da porção.

Embora a gordura na dieta é uma fonte rica em calorias, redução da gordura alimentar sem a redução de calorias não produz perda de peso. O contato frequente com os profissionais no período de adaptação da dieta é imprescindível para melhorar o cumprimento do tratamento.

Outras medidas são importantes e indispensáveis: exercícios físicos, terapia comportamental, farmacoterapia, cirurgia bariátrica, sendo esta uma conduta tomada após o insucesso de todas as outras.

Fonte: The Practical Guide Identification, Evaluation, and Treatment of Overweight and Obesity in Adults. National Institutes of Health, National Heart, Lung, and Blood Institute, North American Association for the Study of Obesity. 2000.