Blog do Coração


Em ambiente de homeostase, aproximadamente 95 a 98% do oxigênio absorvido pelo organismo é reduzido por quatro elétrons, ou seja, recebe uma carga de íons de hidrogênio, formando água ao final da cadeia respiratória. Porém, os outros 2 a 5% do oxigênio são reduzidos por apenas uma molécula, recebendo apenas um elétron, produzindo intermediários altamente reativos, denominados Espécies Reativas de Oxigênio - ERO, que algumas vezes constituem os radicais livres. Forma-se então a primeira espécie tóxica reativa de oxigênio, o Superóxido.

A formação de radicais livres no organismo é fundamental e inevitável, pois é decorrente da respiração celular, produção de energia e processos de ataque a fungos, vírus e bactérias, uma vez que os radicais livres liberados pelos macrófagos e neutrófilos são as armas que temos contra estes invasores.

O Superóxido é apenas a primeira manifestação de EROs, mas pode ser dismutado ou catalisado pela SOD (enzima superóxido dismutase), enzima mais abundante no organismo, em Peróxido de Hidrogênio. A partir desta fase, várias outras espécies de EROs são produzidas em cadeia, incluindo o radical hidroxila e o oxigênio single.

Ocorre que o organismo possui um sistema eficiente interno de eliminação destes radicais livres através de antioxidantes enzimáticos, agindo invariavelmente associados à presença de minerais como selênio, Fe, Cobre e Manganês. O mais conhecido agente antioxidante enzimático é a SOD, que tem sido descrito dede 1968 , quando foi descoberto. A forma que contém cobre e zinco, denominada de superóxido dismutase cobre-zinco dependente (CuZnSOD), é muito estável e parece estar presente em praticamente todas as células animais. Outras duas – catalase e glutationa peroxidase – são igualmente consideradas as principais defesas antioxidantes que atuam no organismo.

Além destes, existem os complexos não enzimáticos que são encontrados nas organelas, mas em sua maioria são exógenos, ou seja, precisam ser ingeridos através da alimentação ou suplementação. Os principais são algumas vitaminas lipossolúveis (A, E, betacaroteno), vitaminas hidrossolúveis (C, complexo B) e os oligoelementos (Zinco, cobre, selênio, magnésio etc), além dos bioflavonóides (derivados de plantas).

Estudos mostram que a aplicação da suplementação com vitaminas e outras substâncias reconhecidamente antioxidantes, em sua maioria, não encontram fortes evidências de redução de risco de doenças crônicas e degenerativas, como câncer, doenças cardiovasculares ou catarata, mas, em alguns estudos específicos, como o Nurses Health Study, tiveram um bom desempenho na redução do risco de morte coronária ou infarto, com suplementação de folato e vitamina B6.

Entre mitos e verdades, pode-se imaginar que o consumo de alimentos frescos, variados e integrais, pode fornecer uma gama de nutrientes e substâncias bioativas que atuam na neutralização dos radicais livres e na prevenção do estresse oxidativo, sem termos a preocupação de buscar suplementos em capsulas para manter uma boa qualidade de vida.

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Por: Regina Helena Marques Pereira, diretora executiva do Departamento de Nutrição da SOCESP