Blog do Coração


Quase metade dos jovens avaliados tem 3 a 5 fatores de risco

A Secretaria de Estado da Saúde e a SOCESP em parceria com a prefeitura de São Paulo, a prefeitura de Campinas, a Federação dos Hospitais Filantrópicos e a Universidade Nove de Julho o Mutirão do Coração do Estado de São Paulo, em 2010, do qual participaram cerca de 30 mil pessoas de 21 municípios paulistas.

O objetivo foi detectar e identificar os pacientes com risco cardiovascular. “Não foi uma consulta, mas um levantamento da população em risco e o devido encaminhamento”, esclarece o presidente da SOCESP na gestão 2010 - 2011, Luiz Antonio Machado César.

O 1º Mutirão de Avaliação de Risco Cardiovascular de São Paulo, realizado em 2009 pela Secretaria de Saúde do Estado e pela SOCESP, com o apoio das Secretarias de Saúde Municipais de São Paulo e Campinas, atendeu cerca de 100 mil pessoas com idades entre 35 e 74 anos, mas, alguns jovens que compareceram ao Mutirão, também puderam ser avaliados.

Dos 173 jovens paulistas, que procuraram voluntariamente as Unidades Básicas de Saúde e os hospitais estaduais que participaram do levantamento, mais de 66% eram do sexo feminino. A obesidade atingiu 14,5% das pessoas abaixo de 35 anos e o tabagismo, mais presente na mulher jovem, foi detectado em 7,5% do grupo.

O que chamou à atenção do coordenador do Mutirão e cardiologista da SOCESP, Álvaro Avezum, foi a presença de três a cinco fatores de risco em 47% dos jovens avaliados, ou seja, são pessoas propensas a desenvolver doenças cardiovasculares durante os próximos anos. Tabagismo, sedentarismo, obesidade abdominal, colesterol elevado, hipertensão, estresse e diabetes são fatores de risco cardiovascular que, se não controlados ou tratados com acompanhamento médico, podem levar ao infarto e ao acidente vascular cerebral (AVC), duas das principais causas de morte por doenças no Brasil. Na avaliação entre os adultos o número de pessoas com 3 ou mais fatores de risco subiu para 75%. 

Fatores considerados estressantes como morte de familiar, perda de emprego, separação conjugal ou ruína financeira dos próprios ou de pais ou responsáveis, atingiram 36% dos jovens e só 33% fazem atividade física moderada. 4,6% são considerados hipertensos.

Os fatores de risco para doenças cardiovasculares, na maioria das vezes são silenciosos e podem trazer complicações na fase adulta se não cuidadas desde a infância e juventude. “São hábitos saudáveis como a ingestão de frutas e legumes, a prática regular de atividade física moderada e evitar o cigarro. O jovem, que ainda não tem preocupação com a saúde e não possui sintomas, precisa se conscientizar dos riscos a que estão se expondo”, completa Avezum.

A população com idade entre 35 e 74 anos - faixa etária onde o risco é mais elevado recebeu o resultado da uma avaliação de risco cardiovascular (baixo, moderado e alto) e uma carta com orientação para procurar um profissional da área de saúde para acompanhamento, caso seu risco tenha sido avaliado como moderado ou alto. Pessoas abaixo de 35 e acima de 74 anos puderam fazer as avaliações e tiveram os dados coletados, mas não receberam o resultado do risco, que é considerado impreciso pelos especialistas nestas faixas etárias.