Blog do Coração


“Neste momento, em que mais mulheres têm jornada de trabalho em tempo integral, aumento do estresse, do fumo e do consumo de alimentos ricos em colesterol ruim, a investigação para diagnóstico da Doença Arterial Coronária é importante”, alerta a Dra. Paola Smanio, Chefe da Seção de Medicina Nuclear do Instituto Dante Pazzanese, Especialista em Cardiologia e Medicina Nuclear pela Universidade da Virginia, Estados Unidos, e Doutora em Cardiologia pela UNIFESP.

A mulher com suspeita de doença cardíaca, em geral, representa um dilema para os médicos. Em uma avaliação realizada em Framingham, nos Estados Unidos, apenas 17% das mulheres com dor no peito tiveram problemas cardíacos nos 14 anos em que foram acompanhadas, enquanto entre os homens o índice chegou a 44%. Apesar desses números, a doença cardiovascular é a maior causa de morte entre mulheres norte-americanas. Mesmo com os avanços tecnológicos, acima de 250 mil mulheres morrem a cada ano naquele país.

No Brasil, a situação não é diferente. Dados epidemiológicos da secretaria da saúde, publicados em 2001, comprovam que a doença cardiovascular é a maior causa de morte em ambos os sexos, sendo responsável por 37% da mortalidade masculina e 33% da feminina.

Por muitas décadas, acreditou-se que a Doença Arterial Coronária (DAC) estava ligada aos homens. Hoje, sabe-se que as mulheres também são suscetíveis, porém desenvolvem a doença, em geral, dez a quinze anos mais tarde.

Apenas na última década, este conceito vem sendo divulgado e alguns trabalhos passaram a ser realizados com a finalidade de obter maior esclarecimento e comprovação. Até então a população feminina era menos incluída na maioria dos grandes estudos, comparando com a masculina.

A Dra. Paola Smanio explica que, uma vez diagnosticada, a Doença Arterial Coronária tem prognóstico pior na mulher. Principalmente após infarto do miocárdio, comprova-se uma mortalidade, no primeiro ano, maior no sexo feminino em relação ao masculino, 38% e 25%, respectivamente.

Outra característica da doença cardiovascular, nas mulheres, é a difícil caracterização dos sintomas. É conhecido que 63% das mulheres, que morrem subitamente por DAC, não apresentam sintomas prévios. Além disso, na mulher diabética, o risco de morte cardiovascular é 7,5 vezes maior do que na não diabética.

Em sua tese de doutorado, a cardiologista avaliou 104 mulheres portadoras de diabetes, há pelo menos 5 anos, sem sintomas cardiovasculares. “Observei em 32,7% presença de obstrução coronariana superior a 70% da luz do vaso. Ao comparar teste ergométrico, teste cardiopulmonar e cintilografia, constatei que a cintilografia é o método com maior poder de discriminar as mulheres com problemas cardíacos”, observa a Dra. Paola Smanio.

Para reverter este quadro, além da mudança na conduta médica, também é importante que as mulheres adotem hábitos de vida saudáveis, visando à prevenção das doenças cardíacas, e tornem a consulta com o cardiologista um compromisso, no mínimo, anual, assim como a maioria faz com o ginecologista.

É sempre bom lembrar que hábitos de vida saudável incluem dieta balanceada, atividade física, não fumar, manter o peso ideal, combater o estresse, controlar o colesterol, o açúcar no sangue e a pressão arterial.