Blog do Coração


O colesterol é uma substância gordurosa importante para vários processos orgânicos, entre eles a formação das células, a produção de hormônios, de vitamina D e de ácidos que ajudam a digerir as gorduras.

O problema é que o ser humano necessita apenas de uma pequena quantidade de colesterol no sangue, produzida quase que totalmente pelo fígado. O excedente acaba se acumulando nas paredes das artérias, aumentando o risco de problemas cardiovasculares, como infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral.

Segundo o Dr. Bráulio Luna Filho, presidente da SOCESP na gestão 2006 - 2077, a predisposição à hipercolesterolemia – alta concentração de colesterol no sangue – é transmitida geneticamente. Por este motivo, pacientes com parentes diretos que tenham sofrido problemas cardiovasculares devem estar mais atentos e realizar exames preventivos periodicamente.

“Mesmo mantendo hábitos saudáveis, muitas vezes, a medicação é necessária. Nem por isso as pessoas devem descuidar da saúde. Uma alimentação balanceada é importante sempre e pode ser suficiente para controlar os níveis de colesterol, adiar o início da medicação, ou mesmo, reduzir as doses de medicamento”, observa o cardiologista.

FONTES DE COLESTEROL

O colesterol está presente em alimentos de origem animal, como carnes, leite e seus derivados, frutos do mar, gema de ovo, pele de frango, ou embutidos, como salame, mortadela e salsicha.

As gorduras saturadas, que provocam aumento da concentração de colesterol, são encontradas em alimentos industrializados, a exemplo de bolos, biscoitos recheados, chocolates, tortas, sorvetes cremosos e em alimentos vegetais, como coco, banha de coco e azeite de dendê. Por esse motivo, as pessoas devem se preocupar com a ingestão exagerada de alimentos ricos em colesterol e gordura saturada.

É importante salientar que nenhum alimento deve ser consumido exageradamente com o intuito de reduzir as taxas de colesterol. “Não existem alimentos que por si só diminuem os níveis de colesterol, ainda que ingeridos em grande quantidade. O importante é a combinação de dieta balanceada, prática de atividade física regular e consultas periódicas ao médico para exames preventivos e orientação individualizada”, alerta o Dr. Bráulio Luna Filho.

COLESTEROL BOM X COLESTEROL RUIM

Nem todo colesterol é prejudicial. O colesterol é composto de frações. O LDL-colesterol é chamado colesterol ruim, pois causa todos os problemas citados acima, quando em excesso. Já o HDL-colesterol, ou colesterol bom, em quantidades adequadas, representa fator de proteção das artérias, dificultando a entrada do LDL colesterol.

Segundo o Dr. Ari Timerman, presidente da SOCESP na gestão 2008 - 2009, chefe da Seção de Emergências e UTI do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, o excesso do LDL colesterol o leva para dentro das paredes das artérias de qualquer parte de nosso organismo, constituindo a placa ateroesclerótica. “Essa placa, com o tempo, aumenta de volume, podendo obstruir parcial (angina), ou totalmente a artéria (infarto), ou ainda torná-la mais suscetível a um rompimento”.

O Dr. Ari Timerman alerta que a melhor forma de elevar seus níveis de colesterol bom (HDL) é praticar atividade física regularmente. “Em consultas periódicas ao cardiologista, o paciente pode se informar sobre seu estado clínico e, em casos de níveis elevados mesmo com a dieta, receberá a indicação de medicamentos que baixem o colesterol ruim”, observa o cardiologista.

PREVENÇÃO

A hipercolesterolemia, na maioria das vezes, não provoca sintomas, o que explica a necessidade de realizar exames periódicos para diagnóstico precoce. Frequentemente, a primeira manifestação clínica é um evento cardíaco ou cerebrovascular agudo, resultante de muitos anos de colesterol alto não tratado.

Os exames preventivos devem começar a partir dos 20 anos de idade, com intervalos de cinco anos, para indivíduos sem outros fatores de risco. Se há histórico de problemas de colesterol, ou doença cardiovascular na família, antes dos 55 anos de idade, a avaliação periódica deve iniciar ainda na infância.

Além do histórico familiar nas dislipidemias, tabagismo, obesidade - principalmente abdominal -, sedentarismo, estresse, hipertensão arterial e diabetes são outros fatores de risco relevantes, adverte o Dr. Ari Timerman.