Blog do Coração


O acidente vascular encefálico (AVE) é conhecido popularmente como “derrame cerebral”.

O AVE atinge todas as faixas etárias, é raro na infância e há pequena predominância no sexo masculino. Pode ser classificado como:

AVEI (Isquêmico) – Lesão cerebral causada por falta de sangue em uma determinada área cerebral, decorrente de obstrução de uma artéria.

AVEH (Hemorrágico) – Sangramento no cérebro, devido ao rompimento de um vaso sanguíneo.

Principais fatores de risco:

AVEI – Hipertensão arterial, diabetes, dislipidemias, sedentarismo, tabagismo e doenças cardíacas.

AVEH – Aneurisma cerebral, hipertensão arterial, tabagismo, distúrbio de coagulação e sedentarismo. Principais sinais e sintomas: Enfraquecimento súbito, paralisação de face, braços ou de um lado do corpo, alterações visuais, dificuldade para falar, tonturas, dificuldade para engolir e dores de cabeça. Fibrilação atrial (FA) é a taquiarritmia mais comumente encontrada na prática clínica, cuja prevalência aumenta dramaticamente com a idade.

A FA é caracterizada por atividade mecânica e elétrica irregular e desorganizada dos átrios, podendo resultar em alteração na capacidade funcional e aumento no risco de insuficiência cardíaca, eventos tromboembólicos e morte. O objetivo do tratamento da FA é manter o ritmo sinusal, controlar a frequência cardíaca e prevenir o tromboembolismo. O paciente, permanecendo em ritmo sinusal, apresenta benefícios, como, eliminação dos sintomas da arritmia, melhora do estado hemodinâmico e diminuição do risco do tromboembolismo, o que torna importante, sempre que possível, reverter o ritmo para sinusal, sempre que o paciente se apresentar com FA.

Os acidentes vasculares encefálicos cardiogênicos estão associados a arritmias cardíacas, usualmente a fibrilação atrial. Os êmbolos originam-se a partir do coração e circulam até a vasculatura cerebral, resultando em um acidente vascular cerebral (mais precisamente na artéria cerebral média esquerda). O entendimento do mecanismo envolvido na trombogênese e tromboembolismo (formação do trombo) em pacientes com FA não é totalmente conhecido. A formação do trombo, durante o episódio de FA, pode estar relacionado com a tríade de Virchow, lesão no endocárdio (membrana que envolve o coração), estase no fluxo e estado de hipercoagubilidade. A estase sanguínea e a redução do fluxo parecem ser os fatores mais importantes no desenvolvimento do trombo em pacientes com FA.

Evidências de um estado de hipercoagubilidade são escassas, porém investigadores têm sugerido um aumento no fibrinogênio e D-dímero acompanhado de uma diminuição de antitrombina III 6. A lesão do endocárdio que pode desencadear o processo trombótico não encontrou, até o momento, fundamentos na literatura. Os acidentes vasculares cerebrais embólicos podem ser evitados com o uso da anticoagulação em pacientes com fibrilação atrial. Estes anticoagulantes são indicados pelos médicos em 90% dos casos de fibrilação.

Prevenção: Praticar exercícios físicos regularmente, sempre com orientação de profissional habilitado. Parar de fumar. Não abusar de bebidas alcoólicas. Alimentar-se bem, evitando gorduras e sal em excesso. Fazer acompanhamento médico periódico, principalmente aqueles que pertencem a um ou mais grupos de risco. Procurar um atendimento médico logo que perceba alguns dos sintomas relacionados acima. As medidas preventivas são decorrentes do risco. O controle da pressão arterial é a medida preventiva de maior impacto para evitar a doença cerebral, a falta de controle aumenta o risco em cinco vezes.

Reabilitação: Quanto melhor o indivíduo compreender suas condições e os tipos de reabilitação disponíveis, mais envolvido estará no processo de reabilitação. Seus objetivos são reduzir os efeitos das incapacidades físicas, psicológicas e cognitivas, restaurando assim habilidades prévias e tornando o indivíduo o mais independente possível em casa, no trabalho e na comunidade, além de aumentar sua qualidade de vida. O paciente e a família são envolvidos no processo do autocuidado, criando objetivos, planejando e participando do tratamento. Uma maneira de melhorar a qualidade de vida é procurar atividades que estimulem e deem prazer. Boas opções são os grupos com as mesmas dificuldades e interesses. Retomar antigos hobbies ou encontrar novas atividades que possam ser realizadas na companhia de amigos e familiares.

Por: Rita de Cassia Ribeiro de Macedo, membro do Departamento de Enfermagem da SOCESP.