Blog do Coração


Aterosclerose nas artérias coronárias e cerebrais é causada pela deposição de colesterol na parede arterial e por um processo inflamatório. A inflamação contribui para desde o início da formação da placa aterosclerótica até os seus estágios finais, quando ocorre a ruptura da placa levando a oclusão imediata da artéria acometida. Atualmente, existem vários estudos clínicos demonstrando que a Proteína C Reativa (PCR), um marcador de atividade inflamatória, está elevada nos anos que antecedem o infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral.

Na prática clínica, seus níveis sanguíneos são dosados pela Proteína C Reativa Ultra Sensível (PCR US). Valores abaixo de 1 mg/L são considerados baixos, 1 a 3 mg/L são intermediários e superiores a 3 mg/L são indicadores de doença inflamatória. No caso de níveis elevados, uma segunda dosagem deve ser realizada.   A presença de qualquer outro processo inflamatório, como artrites, quadros infecciosos alteram fortemente os seus níveis.

A redução da PCR US cardíaca ocorre pelo controle da dieta, aumento de atividade física, interrupção do hábito de fumar e o uso de medicamentos como estatinas, que além de promover redução de colesterol, apresenta atividades anti-inflamatórias . Está em andamento um grande estudo científico mundial denominado Júpiter. Neste, está sendo avaliado o efeito de uma estatina em pacientes com níveis baixos de colesterol, porém níveis elevados de PCR (acima de 2 mg/L).

Foram incluídos 15 mil indivíduos, que compreendeu homens com idade superior a 50 anos e mulheres com idades acima de 60 anos, saudáveis e com colesterol LDL abaixo de 130 mg/dL e PCR acima de 2 mg/L. Este estudo foi interrompido precocemente, devido aos resultados favoráveis do grupo tratado em relação ao grupo placebo.

A apresentação oficial dos dados para comunidade científica está programada para o próximo Congresso da American Heart Association, que acontecerá no final de novembro, em New Orleans, nos Estados Unidos, e que possivelmente sugerirá a quantificação da PCR US como preditivo de doença vascular.

Por: Dr. Pedro Farsky, diretor da SOCESP na gestão 2010 - 2011.