Blog do Coração


Obesidade é fator de risco para doenças do coração

As mudanças dos hábitos alimentares que vêm ocorrendo nos últimos anos têm relação com o aumento da epidemia mundial de obesidade. A industrialização e urbanização trouxeram hábitos que favorecem o sedentarismo e, consequentemente, o aumento da obesidade. A transição nutricional ocorrida em diferentes países do mundo converge para uma dieta mais rica em gordura, açúcares, alimentos refinados e reduzidos em carbo-hidratos complexos e fibras, também conhecida como “dieta ocidental”.

Atualmente estima-se que mais de 115 milhões de pessoas sofram de problemas relacionados com a obesidade nos países em desenvolvimento. A obesidade é uma doença crônica, que engloba fatores sociais, comportamentais, ambientais, culturais, psicológicos, metabólicos e genéticos. Caracteriza-se pelo acúmulo de gordura corporal resultante do desequilíbrio energético prolongado, que pode ser causado pelo excesso de consumo de calorias e ou sedentarismo.

O excesso de peso pode ser estimado por diferentes métodos, entretanto, devido a sua simplicidade de obtenção e baixo custo, o Índice de Massa Corporal (IMC) tem sido amplamente utilizado. O IMC é obtido a partir da divisão do peso em quilogramas pelo quadrado da altura em metros (kg/m2). Valores de IMC acima de 25,0 kg/m2 caracterizam excesso de peso, sendo que valores de 25,0 kg/m2 a 29,9 kg/m2 correspondem a sobrepeso e valores de IMC = 30,0 kg/m2 a obesidade.

O sobrepeso e a obesidade contribuem de forma importante para a carga de doenças crônicas e incapacidades. As consequências para a saúde associadas a estes fatores vão de condições que afetam a qualidade de vida, como osteoartrite, dificuldades respiratórias, problemas músculo esqueléticos, problemas de pele e infertilidade a condições graves, como doença coronariana, diabetes e certos tipos de câncer.

Muitos estudos mostram que a obesidade é um fator de risco significante para o desenvolvimento de doença coronariana e doença cardiovascular. Há evidências que a distribuição regional do tecido adiposo tem maior importância em determinar o risco cardiovascular que o peso corporal total aumentado.  A obesidade abdominal tem mostrado forte associação com risco de doenças cardiovasculares e doenças metabólicas, como diabetes, intolerância a glicose e dislipidemia.

Para evitar o excesso de peso é fundamental um estilo de vida saudável com atividade física regular e alimentação equilibrada. O estilo de vida sedentário está associado com risco de morte prematura e com aumento de risco cardiovascular. Estudos concluíram que a atividade física não só aumenta a expectativa de vida como também aumenta os anos livres de doenças cardiovasculares.

A obesidade é problema de saúde pública. Portanto, a implementação de medidas de prevenção e combate a obesidade devem ser prioridade, incluindo medidas de educação alimentar e práticas de atividade físicas que alcancem todas as camadas sociais da população.

Por: Dra. Carolina Christianini Mizzaci